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O que nos resta d’uma segunda-feira-sem-graça além d’um copo cheio de cerveja - por favor, gelada! - nesse copo sujo de bar sujo, perguntei!
Oooh minha cara, ahhhhh!
Não estou desrespeitando seu bar, é so um jeito meio sem jeito de falar uma coisa que a senhora já sabe, não é?!
Minha avó diria que ele não é bem freqüentado, outros nem conhecem - e vou lhe confessar que - uns e outros nem querem vim aqui.
Não se zangue não!
É aqui que gosto de beber e é por aqui que gosto de conversar.
Pausa - Tire a cerveja de lá e ponha aqui, por favor! - Pausa.
O primeiro gole vem com a esperança dos próximos serem mais prazerosos.
Ao meu lado o meu companheiro conta, canta, consta nos atos fatos que incubem um ser etilicamente ativo, mas o que seria isso? Alto teor, que por estas horas depois de tantos goles e tantos copos quebrados - sem querer, é claro - incumbem a uma lembrança meio turva, parecida com a espuma e com o Líquido Precioso (iniciais maiúsculas que nem as entidades importantes, que nem os nomes próprios).
- Qual sua cor favorita?
- Huuum, quando eu era pequena gostava de verde, hoje em dia uso azul, branco, preto. Mas dizem que branco e preto não são cores, não é?
- Sei lá, eu gosto de vermelho... cores quentes sabe?
- Nossa, que diferente... deves ter alguma explicação “super-macho” pra dar.
- “Super-macho” é?
Risos. Gole de cerveja. Mais risos.
- Ih... Vai, fala! Mas cuidado com as palavras...
Dez, onze, doze copos. Pela leveza do meu corpo e do meu copo com certeza foram bem mais. Este bel prazer de segunda teve seu fim.
Pedi ao meu companheiro de forma não tão direta, como permitia meu estado, para irmos pra casa.
Dei um até logo para a senhora do bar. Pronto.
Vou embora ao contrário do que cheguei.
Sem idéias mirabolantes, menos ortodoxa do que antes, mais revolucionária do que nunca, mas nada que cause constrangimento. Nem “meio intelectual”, nem “meio esquerda”.
Mas se cheguei com o sobrolho enrugado d’uma semana ávida de complicações, este havia sido substituído por um semblante embriagadamente alegre.
Depois de uma segunda etilicamente saborosa, acordo com o gosto, não sei se cerveja ou se de excesso. Sinto meu cérebro pulsar e meus olhos mal conseguem abrir, um calor de dentro pra fora, um negócio esquisito!
É... preciso urgentemente providenciar uma cortina mais escura.
- Bom dia.
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